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Aécio Neves e o desafio de fazer oposição

24 fev

Artigo publicado originalmente no Diário do Planalto, Sala D, p. 3 – 3, 23 fev. 2013.

Aécio Neves

Aécio Neves

Os anos de 1994 à 2002 talvez tenham sido os anos mais ricos da democracia brasileira, não porque partido do PSDB estivesse na situação e partido do PT na oposição, mas sim, porque tínhamos efetivamente duas grandes frentes, com agendas programáticas diversas e bem articuladas. Era possível ver no PSDB (na situação) um discurso sólido e consistente, ao mesmo tempo, que no PT (na oposição), conseguia apresentar um discurso que se coloca-se em oposição a situação, atingindo um extrato da população que não estava satisfeito com o cenário colocado.

De 2002 em diante, emergiu um cenário de apatia política, que de quando em quando é interrompido por algumas discussões pontuais, não conseguindo dar origem a uma agenda política diferente da apresentada pela situação. Esse cenário ocorre por dois grandes motivos, dentre outros:

a) Porque as principais figuras da atual oposição José Serra e Geraldo Alkmin, não conseguiram se posicionar politicamente no cenário, não mostraram para que vieram, se mantiveram apagados, fizeram uma oposição incolor e inodoro. No máximo se apresentaram como os administradores mais qualificados para continuar o governo Lula. Esta oposição, que não faz oposição, tornou-se mais evidente na campanha presidencial de 2010, quando José Serra dizia expressamente que o Brasil estava bem, mas podia crescer mais, e ele era o administrador mais experiente para tanto.

b) Quando o partido do PT assume a presidência, passa a dar continuidade a agenda apresentada pela social democracia do Fernando Henrique Cardoso. Neste momento é preciso tirar o chapéu para o Lula, ele foi muito mais competente que o FHC na implantação do modelo de WelfareState. Se FHC, Alkmin e Serra fossem coerentes com o próprio discurso, teriam saído do PSDB e se afiliado ao PT. Ou vice versa, se o Lula fosse honesto com a própria prática, teria saído do PT, um partido de viés marxista, e se afiliado ao PSDB.

 Na esteira deste cenário político apático, em dezembro do ano passado, foi anunciado a pré-candidatura de Aécio Neves a presidência do Brasil em 2014. Este anuncio tem importância estratégica, pois agora a oposição passa a ter uma cara, um nome de referência que, com alguma dúvida, parece ter bem mais vigor que os últimos dois apresentados.

Aécio Neves sabe, ou deveria saber, que a tarefa que o espera não é fácil. Há dois desafios inadiáveis que o esperam: a) Primeiro, assumir uma postura política, se posicionando na agenda nacional, ele precisa bater a mão no peito e chamar a responsabilidade para si, em outras palavras: – Passa a bola pra mim que eu resolvo!; b) Segundo, é preciso fazer oposição!

 Qual é o papel da oposição? Assim se perguntava FHC. A resposta óbvia foi: “Faz oposição”. Então, o que é fazer oposição? A oposição orquestrada pelo PSDB até o momento é relapsa, desarticulada, sem forma, como dizíamos, de quando em quando faz algumas críticas pontuais. FHC já percebeu e vem chamando a atenção dos seus correligionários de que esse tipo de oposição é tudo que Lula pediu a Deus, é uma oposição, na melhor acepção possível, frouxa. Fazer oposição é se colocar frontalmente em discordância com o modelo de Estado apresentado pelo governo.

 O Brasil já superou certas deficiências básicas, e agora, o povo brasileiro quer mais que apenas pão, vinho e cotas em defesa de todo tipo de minoria. O brasileiro quer a liberdade, e o PSDB deve renegar a sua opção social democrática e passar a ser o representante por excelência dos ventos liberais que enfim aportaram as terras tupiniquins.

Aécio Neves deve expurgar as raízes da vontade arrogante de intervenção da tradição governamental brasileira, que tem seus primórdios nas propostas comunistas e se encontram contemporaneamente com nova roupagem, a exemplo da social democracia e do social liberalismo. Todo um extrato da população brasileira, que esta cansada com os constantes escândalos de corrupção e as constantes más alocações de recursos públicos, quer ter um representante que faça a opção irrestrita pela liberdade, em todas as suas variáveis, ética, política, religiosa e econômica. É imperativo percebermos que não é com governo e intervenção que resolveremos os problemas sociais e econômicos do Brasil, mas com liberdade, com o livre mercado, com atividade empresarial, com competição. Enfim, desejo que o bom senso e ventos liberais acompanhem o futuro presidente.

Paulo Flavio de Andrade

andrade.pauloflavio@hotmail.com

Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade do Contestado (UnC)

Membro do Grupo de Pesquisa em Decentralização e Federalismo – CNPq

Coordenador do Caderno Sala D do curso de Ciências Sociais

 
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Publicado por em 24 de fevereiro de 2013 em Notícias

 

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