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O governo e a intervenção na economia

24 jan

Artigo publicado originalmente no Diário do Planalto, Parlatório, p. 2 – 2, 23 jan. 2013.

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Sugestão de leitura

A partir da crise de 1929, a escola keynesianade economia difundiu amplamente a ideia de que a presença do governo na economia não só é bem vinda como necessária, onde uma economia para se desenvolver precisa a todo momento da tutela deste grande pai, pois, estando ela entregue a própria sorte, esta fatalmente no caminho da crise e da recessão.Desta forma, duas são as formas por excelência da intervenção: a) A primeira consiste em fazer obras, podendo elas serem estratégicas, ou, apenas como um fim em si mesmas, lembremos aqui a famosa passagem em que John Keynes diz que numa crise o governo deve fazer um buraco, não resolvendo a crise, deve tampá-lo; b) A segunda forma consiste em estimular a iniciativa privada e o consumidor a produzir e consumir, respectivamente, oferecendo-lhes redução de juros e tributação ou dando-lhes crédito.

Sendo esta uma concepção amplamente aceita entre políticos e economistas, pedimos ao caro leitor o benefício da dúvida, nos permitam o espírito cético duvidando se talvez -somente talvez-, esta ideia esteja equivocada, e, sendo a nossa argumentação convincente, lançamos luz sobre a escuridão, do contrário, sendo a nossa argumentação insuficiente, logo as nossas fraturas e inconsistências ficarão expostas, soprando para longe duvidas e ceticismos vãos.

Para colocarmos em xeque a teoria keynesianada necessidade da intervenção do governo na economia é preciso voltarmos nossos olhares para os fundamentos da economia, tentando entender o que significa esta palavra (economia) que em várias oportunidades nos passa desapercebida.

Há na história da ciência da economia duas importantes definições de economia, sendo a primeira protagonizada por Adam Smith em “As riquezas das nações”, onde entende-se a ciência que se ocupa dos dispositivos que geram a riqueza, e a segunda protagonizada por Karl Menger em “Princípios de economia política”, definindo-a como o gerenciamento da escassez.

Tendo em vista os limites espaciais, nos ocupemos aqui desta segunda definição, onde, sendo a economia a ciência da escassez, duas são as suas preocupações: a) Procurar a melhor alocação destes recursos escassos; e, b) Procurar maximizar o máximo possível o uso destes recursos escassos.

Desta forma surge a pergunta, então como saber se um bem econômico (leia-se, um recurso escasso que possui valor subjetivo para o sujeito) foi bem alocado? Como saber se em vez de alocar esses recursos na atividade alimentícia, deveríamos tê-lo alocado na indústria de combustíveis? Para Ludwig vonMises, o pensador mais potente da Escola Austríaca de Economia, a resposta esta no lucro, é através do lucro que a mão invisível do mercado livre opera, avisando os empreendedores que devem alocar seus recursos nesta ou naquela atividade econômica.

Dito isto, localizado a natureza do calculo econômico, vejamos porque o governo não deve adentrar e interferir na esfera econômica, havendo dois grandes motivos para tanto:

a) O governo não é tocado pela mão invisível do mercado, tornando-o incapaz de fazer o calculo econômico. De forma alegórica, é como se um empresário se propusesse a administrar uma empresa de calçados sem saber o custo de produção dos seus calçados, e assessorado por seu sobrinho de três anos estabeleceo preço do produto. Neste caso, o empresário desavisado é o governo, e o sobrinho de três anos é o presidente do Banco Central.

Na ausência do calculo econômico, o governo perde o mais eficiente dispositivo para detectar as demandas da sociedade. Quando alguém esta disposto a pagar um alto valor por um produto ou serviço, ele esta dando um recado para classe empresarial, esta dizendo que aquele produto ou serviço é importante e tem demanda a ser atendida, por extensão, a classe empresarial, sabedora dessa informação, vai se empenhar em alocar tantos recursos quanto forem necessários para este setor da economia.

b) Ao monopolizar os setores em que atua, perde não só a possibilidade de fazer o calculo econômico, como também, perde o motor que faza economia se desenvolver, qual seja, a competição. É por temer que outro empresário produza um calçado mais resistente, com melhor design num preço mais acessível, que a classe empresarial esta sempre alerta se preocupando em se qualificar, melhorando o seu produto e apresentando cada dia novas opções de produtos, preços e qualidades para o consumidor.

No livre mercado, quando uma empresa fornece ao seu cliente um produto de má qualidade, este mesmo cliente tem a possibilidade de buscar uma segunda empresa que lhe satisfaça a necessidade, ou seja, se o café da marca “Canoinhas” não me agrada, seja pelo seu alto preço ou baixa qualidade, vou comprar o café da marca “Ireneópolis”, ou outra qualquer. No que tange ao governo, em muitos setores não há esta possibilidade, há apenas um opção, satisfazendo ou não as suas expectativas.

Paulo Flavio de Andrade
andrade.pauloflavio@hotmail.com
Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade do Contestado (UnC)
Membro do Grupo de Pesquisa em Decentralização e Federalismo – CNPq
Coordenador do Caderno Sala D do curso de Ciências Sociais
 
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Publicado por em 24 de janeiro de 2013 em Notícias

 

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