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Aécio Neves e a defesa dos interesses dos empresários

24 jan

Publicado originalmente no Diário do Planalto, Parlatório, p. 2 – 2, 23 jan. 2013.

Aécio Neves

Aécio Neves

Na penúltima sexta-feira (15/Fev.) estava com alguns amigos num boteco da cidade de Canoinhas, e dentre outras trivialidades, tomamos cerveja, “cantamos” umas polacas (sem sucesso), falamos do meu mengão e discutimos sobre política, enfim, uma conversa típica de qualquer acadêmico de Ciências Sociais. A excepcionalidade desta conversa esta quando casualmente defendi o pré-candidato a presidência pelo PSDB para 2014, Aécio Neves, desconhecia eu a heresia que havia cometido. Tão logo me posicionei, surgiu toda sorte de repreensão: – Porque defendes Aécio Neves, talvez não sabe você que ele defende a classe empresarial? – Talvez ainda desconheças que ele é do PSDB, um partido historicamente alinhado com os interesses dos empresários? – O PSDB sempre prejudicou o povo em favor dos empresários!

Pois bem, esta conversa me insurgiu algumas dúvidas: É tão ruim assim defender os interesses da classe empresarial? É possível, ainda, colocar em lados marcadamente opostos os “interesses dos empresários” e os “interesses do povo”?  Por fim, talvez, somente talvez, não é possível uma confluências dos interesses destas duas classes?

Me permitam caros leitores fazer algumas digressões sobre o tema, e vejamos ao final se os interesses dos empresários são tão “maus” assim, se colocando em oposição dos interesses do povo.

a)      Pergunto, para os empresários, o que é melhor, que a economia brasileira cresça ou fique estagnada?

b)      O que é melhor, que o Brasil tenha 25 milhões de miseráveis ou que tenha 25 milhões de plenos consumidores?

c)      O que é melhor, que o brasileiro tenha uma renda de 100 dólares, ou uma renda de 500 dólares?

d)     O que é melhor, que o brasileiro seja um funcionário que frequente ao máximo até a quarta série do ensino fundamental, sendo capaz de fazer apenas operações rudimentares como apertar um parafuso, ou, ter um ensino superior, e ser capaz de desenvolver tecnologia de ponta, a causar inveja em qualquer japonês?

Não sei o que o leitor pensa a respeito destas perguntas, mas por meu turno, acredito que aos olhos de qualquer empresário, até mesmo ao mais idiota, eles preferem que a economia brasileira cresça, que o brasileiro saia da miséria, que o brasileiro tenha um poder de consumo de 500 dólares, ou mais, além disso, tenha acesso a muito estudo, para desenvolver muita tecnologia.

O que desejo expressar neste artigo é que ao acusarem o Aécio Neves de defensores dos empresários, dizem de forma tácita que os empresários querem um Brasil pobre, falido e burro. E em alguns momentos nem tão tácito assim, a exemplo da última quarta-feira (20fev.), quando o ex-presidente Lula afirmou que a oposição tem preconceitos com os pobres. É preciso lançar luz sobre estes ataques virulentos, é urgente deixar claro que o empresário quer um país crescendo, com um cidadão com poder de consumo e inteligente pra desenvolver tecnologia.

Por fim, um país em que o PIB cresce apenas 2,72% como em 2011, e vergonhosos 1,68% como em 2012 (vergonhoso porque países como a Índia, país emergente como o Brasil, cresceu 6,9%, a Rússia, 3,7%, a China, 7,8%, até mesmo a Argentina, com sua economia conturbada, cresceu mais que nós, com 2,6%), não é apenas ruim para o brasileiro da classe E, D ou C, saiba presidente Dilma Rousseff, que um crescimento ridículo como esse prejudica todas as classes, inclusive a empresarial. Desta forma, termino dizendo que estamos todos no mesmo barco, e quando o Brasil cresce, todos crescem, sejam eles da classe A, B, C, D ou E, seja ele empresário de uma multinacional, pequena ou micro empresa.

 

Paulo Flavio de Andrade

andrade.pauloflavio@hotmail.com

Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade do Contestado (UnC)

Membro do Grupo de Pesquisa em Decentralização e Federalismo – CNPq

Coordenador do Caderno Sala D do curso de Ciências Sociais

 
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Publicado por em 24 de janeiro de 2013 em Notícias

 

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