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Teologia Política de Thomas Hobbes.

07 jan

Acadêmicas: Eliana Jungles e Marciéle Haubricht

Thomas Hobbes é um dos autores mais notáveis da teoria política. A pujança do Leviatã, seu livro mais conhecido, quase ofuscou o restante de sua obra, transformando-o, ao mesmo tempo, num autor clássico e num mito, pois suas idéias e conceitos foram indicadores e fatores de mudanças sócias e políticas.

O Leviatã de Hobbes divide-se em quatro partes: a primeira denomina-se Do homem, a segunda Do Estado, terceira Do Estado cristão e a quarta Do reino das trevas.

Embora as interpretações apenas se dediquem aos escritos da primeira e da segunda parte do livro de Hobbes, no Leviatã todas elas estão intimamente ligadas, revelando um traço sistemático do livro.

A psicologia humana revelada na primeira parte do Leviatã ressalta a miséria cognitiva, o hedonismo (doutrina filosófica, que proclama o prazer como o fim supremo da vida), concupiscência (ambição, desejo, tendência do homem de cobiçar bens terrenos decorrentes do pecado original), provenientes, respectivamente, das sensações, dos apetites e das aversões do homem.

Essa limitação cognitiva seria a causa principal do surgimento de boa parte das religiões. A capacidade de distinguir quanto ás forças intelectivas dos sentidos convertidos em representações, que acometem o mundo mental do ser humano, seria a fonte de adoração de sátiros, faunos, ninfas, fadas, fantasmas e feiticeiros.

Enganados por seus sentidos, pelas falsas profecias e todos aqueles embusteiros que exploram sua credulidade, o homem é continuamente atormentado pelo temor dos poderes espirituais ou invisíveis.

Na segunda parte, Hobbes não discorre apenas sobre os elementos constitutivos do corpo político ou Estado, mas também sobre sua finalidade, as causas que o esmorecem e os meios de mantê-lo. Importante salientar que em seu livro A dialogue between a philosopher and a student of the common laws of England (Um diálogo entre um filósofo e um estudante do direito consuetudinário da Inglaterra), apresenta uma passagem que sintetiza as idéias expostas na construção política de seu “homem artificial”.

Na construção de seu conceito de soberania absoluta, a autoridade competente, representativa do Estado, tem o monopólio da decisão política. Decide o que é justo ou injusto, crime ou pecado, certo ou errado, sobre o costume prolongado que deve elevar-se ao status da lei além de acumular as funções de juiz e legislador, compete à vontade do “Deus mortal” determinar, em conformidade com o princípio cujus régio, eius religio (a religião é de quem é a religião, porque quem não tem reino, não pode fazer leis).

Cabe ressaltar que na segunda parte do Leviatã, como ao longo do livro inteiro, o autor dispara críticas à divisibilidade da “alma”, isto é, a divisão do poder soberano do Estado, cuja causa principal consiste na especiosa distinção entre poder temporal e poder espiritual, forjada pelas autoridades espirituais.

A fim de evitar a “insignificante distinção entre o temporal e o espiritual e o espiritual” que leva à dissolução do Estado, Hobbes soluciona o problema da seguinte forma: “ou civil, que é o poder do Estado, tem de estar subordinado ao espiritual, e então não há nenhuma soberania exceto a espiritual; ou o espiritual tem de estar subordinado e o temporal e então não existe nenhuma supremacia senão a temporal”.

Na terceira e na quarta parte, o autor também recorre aos textos sagrados a fim de emancipar um domínio secular da tutela da igreja, sob os quais se funda sua teoria dos direitos de quem governa e deveres de quem obedece.

A estrada aberta pela reforma foi determinante para a quebra do monopólio da Igreja romana da conduta humana, precisamente de como o homem deveria agir neste mundo para obter a salvação eterna no mundo vindouro, individualizou os homens, pluralizou as crenças provenientes das consciências privadas e transformou com a tradução da Bíblia para a língua vernácula, cada homem num juiz de suas ações.

A Igreja passa a ser mais um instrumento a serviço dos interesses políticos do Estado. Em outras palavras, o autor não separa o poder da Igreja do poder do Estado, mas incorpora a Igreja ao Estado, assim o autor descreve que não separa os poderes.

A Reforma protestante é um dos eventos históricos mais importantes a compreensão da formação do Estado Moderno. Para o autor era indiferente se a autoridade fosse proveniente da Igreja ou presbiteriana, ou qualquer outra Igreja protestante. Hobbes sabia como ninguém, que líderes espirituais controlavam melhor do que os líderes temporais, as paixões dos homens, cujo traço primordial residiria na natureza cognitiva falível, calcada no medo e no amor pelo ininteligível.

Hobbes acreditava que a tarefa da filosofia é representar o mundo no espelho da razão. A imagem do mundo projetada nesse espelho é a de um mundo de causa e efeito. Para o autor uma faculdade com a qual se pode contar é a imaginação, que “nada mais ha, portanto, senão uma sensação diminuída, e encontra-se nos homens, quer estejam adormecidos, quer estejam despertos”. Segundo Hobbes a imaginação consiste, portanto, no poder ou capacidade de recordar ou representar na mente sensações de vestígios passados. Exprimem o que é evanescente. Memória e imaginação é a mesma coisa. “Muita memória ou a memória de muitas coisas podem-se chamar experiência.

O autor sabia melhor do que ninguém que a Igreja romana, por meio da instituição das primeiras universidades da Europa, usou idéias como armas para ampliar seu poder de intervenção nas decisões políticas de governantes temporais.

O Leviatã transmite ao leitor a inspiração de uma dura batalha que Hobbes tava, do começo ao fim do livro, para desbaratar a autoridade de papas, bispos, pastores, arcebispos, frades, monges, enfim, qualquer espécie de embusteiro que incentiva o medo e a sedição, porque “se desaparece esse temor supersticioso dos espíritos e com ele os faltos prognósticos tirados dos sonhos, as falsas profecias, e muitas outras coisas dele decorrentes graças às quais pessoas ambiciosas e astutas abusam credulidade de gente simples, os homens estariam muito mais bem preparados do que agora para a obediência civil”.

O homem de Hobbes é acima de tudo um ser crente e fanático capaz de se destruir com suas próprias paixões, daí a necessidade de fundar um Estado capaz de controlar as paixões e crenças desse homem, cuja condição natural é denominada pelas fantasias de seu mundo mental imaginário.

Definição de Leviatã: uma criatura mitológica da Idade Média, das profundezas dos oceanos, este poderia ser descrito de várias maneiras, um crocodilo, um dragão, monstro gigante de várias cabeças e está ligado com a magia satânica. Pelo Hobbes, Leviatã era o Estado, poder Satânico. 

No Antigo Testamento, Leviatã foi retratado pela primeira vez em uma passagem no Livro de Jacó. Ele foi denominado pela igreja como o demônio do sexto pecado capital, a inveja, e ainda tratado como um dos sete príncipes infernais são eles: Lúcifer – Orgulho, Mammon- Ganância, Asmodeus- Luxúria, Satanás – Wrath, Belzebu- Gula, Leviatã- Inveja e Belphegor – Preguiça.

Leviatã, significado bíblico: No livro de Jó é onde é apontada a imagem mais tenebrosa do monstro Leviatã, como a mais terrível criatura aquática. Em diálogos entre Deus e Jó, podem ser percebidas as características do monstro, “ninguém é bastante ousado em provocá-lo; quem o resistiria face a face?… Quem pôde afrontá-lo e sair com vida debaixo de toda a extensão do céu? Quem lhe abriu os dois batentes da goela, em que seus dentes fazem reinar o terror? Quando se levanta, tremem as ondas do mar, as vagas do mar se afastam. Se uma espada o toca, ela não resiste, nem a lança, nem a azagaia, nem o dardo. O ferro para ele é palha, o bronze pau podre”.  Junto com Leviatã surge o grande Behemoth, terrível monstro terrestre, com sua incrível força, lembrava a forma de um hipopótamo, este foi mandado por Deus para derrotar o Leviatã. Em uma constante batalha entre os dois, mesmo com a morte dos dois a vitória seria de Behemoth por ter cumprido com a missão proposta.

Não importam quais a formas e características atribuídas a esses animais míticos que aparecerem na Bíblia Hebréia, eles foram relacionados com algum tipo de saga, uma divindade Babilônica e os historiadores e teólogos da Bíblia não associarem esses animais ao mito político em que Hobbes trata. O cientista político e também jornalista Thomas Hobbes, tratou em sua obra sobre o Leviatã, afirmando que a “guerra de todos contra todos” que nada mais é que de “estado natural”, apenas poderia ser superada com um governo central e autoritário, esse governo seria como se fosse o monstro Leviatã, onde concentraria todo o poder em torno de si e ordenaria todas as decisões da sociedade.

O Leviatã na obra de Thomas Hobbes: Hobbes um dos mais importantes filósofos políticos da Inglaterra ele era defensor do Estado Absolutista, por ser uma forma estritamente racional, livre de qualquer tipo de religiosidade e sentimentalismo. Seus pensamentos eram radicais e assim o aproximava de Maquiavel, por pensa de uma forma radicalmente dedutiva. Ainda defendia o Estado Soberano por acreditar que este mantinha a paz civil. Para justificar sua teoria, Hobbes comentou sua hipótese de homens vivendo sem Estado, para aí mostrar a necessidade dele. Entre o convívio entre homens dá pra se dizer que este é de estado natural sem nenhuma autoridade.

Para Hobbes é de natureza dos homens serem egoístas, aí tenderiam a guerrear entre si, portanto estes necessitam de um contrato social de paz e ainda necessitam de um soberano para punir aqueles que desobedeceriam ao contrato social. Sua obra é como uma resposta para o caos político vivido em sua época. Sua obra mais conhecida e de maior importância é a do Leviatã, uma criatura mítica da Bíblia Hebréia, este simboliza para ele o pode do Estado absoluto, destaca-se dois poderes (civil e religioso). Hobbes faz uma comparação do homem artificial com o Estado, o qual homens naturais criam para defesa e proteção (o Leviatã na verdade é o homem artificial, com maior estrutura, criado pelo homem natural, projetado com proteção e defesa). Fundou o Estado, definido por Hobbes como Leviatã, devido a uma necessidade dos homens de se libertarem de uma condição precária, estado natural, guerra, para a paz. O objetivo do Estado é de bem comum, e o poder é absoluto, soberano, ele considerava o soberano a alma do Leviatã e a liberdade do indivíduo é apenas permitida pelo soberano. Assim, partindo do Estado natural do homem é que Hobbes mostrou suas ideias diferentes de muitos de sua época para mostrar a tendência e a necessidade do homem de um Estado que ele retirou do mito do Leviatã.

 
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Publicado por em 7 de janeiro de 2013 em Notícias

 

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