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Inflação: a forma de se maquiar a incompetência

02 dez

Artigo publicano originalmente no Diário do Planalto, Parlatório, p. 2 – 2, 01 dez. 2012.

Sugestão de leitura

Sugestão de leitura

Hélio Beltrão, presidente do Instituto Ludwig Von Mises Brasil, numa palestra acerca da Escola Austríaca de Economia questiona os acadêmicos presentes: − Algum de vocês já se questionou porque todos os governos fazem questão de deter em suas mãos o monopólio da moeda? Qual o motivo que leva governos de países tão diversos, na política, na economia e na história, a possuírem um discurso tão afinado quando o assunto é o monopólio da moeda. Em resumo: Qual o fascínio que o monopólio da moeda produz sobre o governo?

A resposta é simples caro leitor, para tanto, me permitam uma alegoria: na contabilidade de uma empresa, basicamente se compara os gastos que a empresa teve durante o mês e, suas respectivas arrecadações, em poder dessas informações, o administrativo saberá dizer se pode ou não fazer investimentos, ou ainda, qual deverá ser o regime a ser feito para sair do vermelho. Em outras palavras, se a empresa gastou 100 mil reais e arrecadou 150 mil reais, o que significa dizer 50 mil reais de superávit, então o administrativo terá 50 mil reais pra investir, ou, se a empresa gastou 100 mil reais e arrecadou 50 mil reais, tendo acumulado então 50 mil reais de déficit, de alguma forma, o administrativo terá que pensar como diminuir os gastos para pagar esses 50 mil reais de déficit.

Quando se fala do governo, a contabilidade é um pouco diferente, tendo gasto 100 mil reais e arrecadado em impostos apenas 50 mil reais, o governo, para cobrir esse rombo não precisa assumir nenhum medida de austeridade, cortar cargos comissionados, diminuir investimentos, ou realocar recursos, em vez disso, num ato de mágica, pode simplesmente, do nada, criar moeda, ou seja, pode simplesmente imprimir esses 50 mil reais que faltavam para colocar no azul as contas do governo.

A fala de Ludwig Von Mises é reveladora: “O fazer das bruxas, perto do tesouro nacional, tem ares inocentes”. É bem isso caro leitor, o tesouro nacional imprime moeda do nada e te obriga a aceita-la, similar ao “vagabundo” que reproduz notas falsas de cem reais e sai distribuindo pelo comércio, a diferença entre o tesouro nacional e este “vagabundo” é que o primeiro o faz com as bênção do governo, enquanto o segundo, não. É similar a hóstia, se foi benzida pelo padre, é Santa, se não, não é, conquanto, em verdade, todos sabemos que é a mesma coisa, trigo, sal e água, e nada mais.

Esta arte de produzir moeda é chamada pelo governo de inflação -isso é claro, se foi ele quem fez, se foi um “vagabundo”, é crime. Inflação é a forma pela qual se aumenta a oferta da moeda, a qual, num ato de osmose (linguagem figurada), retira parte da riqueza das moedas já em circulação para dar a si mesma.

É bem verdade que o governo tem um segundo expediente para pagar suas contas, ou neste caso, pagar o déficit, o impostos, no entanto, este expediente é bem conhecido pelos brasileiros, pois em maior ou menor medida a população sente no bolso, mas a inflação, esse dispositivo do governo roubar o cidadão é mais tênue, por vezes passado despercebido, não obstante, quando é percebida, raras vezes ainda é conhecido a autoria, e quando é conhecida, acredita-se sinceramente que é o comerciante desumano que só pensa em lucro o culpado do aumento do pão.

Dito isso, é significativo lembrar o teatro arquitetado pelo governo quando vem a público e diz que tomará medidas para conter a inflação, Von Mises satiriza dizendo que é como o ladrão que após roubar a bolsa da pobre velinha sai apontando o dedo para um transeunte qualquer gritando − Pega ladrão! Pega ladrão! Quando, em verdade, sabemos quem foi o ladrão.

Desta forma, a inflação se revela o melhor dispositivo que os governos têm para disfarçar a farra que ele faz com o nosso dinheiro. É assim que o governo esconde o rombo causado pela corrupção, pela ineficiência e pela má alocação dos recursos. Enfim, esta consumada a grande fraude contra os homens e mulheres de bem.

 

Paulo Flavio de Andrade
andrade.pauloflavio@hotmail.com
Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade do Contestado (UnC)
Membro do Grupo de Pesquisa em Decentralização e Federalismo – CNPq
Coordenador do Caderno Sala D do curso de Ciências Sociais
 
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Publicado por em 2 de dezembro de 2012 em Notícias

 

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