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Estética Filosófica e Sociologia da Estética na UnC em Canoinhas …

25 ago

Se quisermos que as pessoas cada vez mais lutem por Canoinhas, seria uma
ajuda e tanto podermos ter orgulho dessa cidade a partir de várias perspectivas. Uma
delas é pela estética da cidade, buscar construir e manter uma cidade bela. Sim, porque
de gente bela essa cidade está bem servida, agora seria importante se essa beleza,
que com tamanha facilidade se encontra a cada passo nas pessoas, não destoasse da
arquitetura e estruturas da cidade. Em construções feias as pessoas tem uma relutância
em ficar, ocupar, investir. E em uma cidade feia, seria diferente?Prezado, estou hoje a fazer-lhe um convite! Dia 1º de setembro, na UnC
Canoinhas, daremos início a promoção de discussões estéticas a partir de diversas
abordagens possíveis: sociologia da estética, estética filosófica, filosofia da arte,
antropologia da arte, formação estética, estética jornalística, história da arte e afins,
talvez até relacionando com implicações éticas, políticas, lógicas e ontológicas destas
perspectivas para o capital social inerente à prática do desenvolvimento regional.
Vou trocar em miúdos: algumas cidades perceberam (talvez por influência
europeia), que a apreciação estética que cada um de nós exercita é fundamental para
a organização de nossa cidade, para nossos modos de vida e de morte. A influência
da estética na sociedade não é novidade! No período que compreende o que hoje
identificamos por filosofia antiga, era comum uma associação das artes com uma
função. Refiro-me em especial à associação do belo com o bem. Para alguns (entre eles,
Sócrates), aquele que age belamente age também de forma a priorizar o bem. O que
prioriza o bem age belamente.
De qualquer forma, principalmente entre os modernos, tentou-se pensar uma
noção de beleza desvinculada de alguma função prática. Isso, no entanto, não quer dizer
que a apreciação estética não tenha função social, mas sim que a função social pode ser
uma consequência ou não, sem que isso seja critério. Ou dito mais, buscou-se discutir
uma noção de beleza que fosse distinta do bem, que fosse distinta também do agradável
(porque o agradável tem a ver com cada um, não pode ser universalizado), buscou-
se uma forma de distinguir um tipo específico de prazer diante do belo que qualquer
outro no lugar daquele que contempla sentiria a mesma coisa, independente de cultura
ou da época. Diante disso, vemos que há uma possibilidade de compreensão dos juízos
de gosto como não sendo pessoais, contradizendo aquela célebre fuga de discussões,
conhecida como “gosto cada um tem o seu”. Os juízos de gosto, nesta perspectiva
moderna, seriam universais. Logo, o que explicaria juízos de gosto diferentes?
Desde Aristóteles sabe-se que algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo
sobre o mesmo aspecto. O que estou querendo ilustrar com isso é que segundo essa
máxima da filosofia, exemplo dado pelo próprio Aristóteles, se dois sujeitos bebem
um gole do mesmo vinho e um o considera doce e o outro o considera não doce, o que
aconteceu? Em linhas gerais, ou o vinho alterou-se entre a degustação do primeiro e
a degustação do segundo, ou algo no paladar de um dos dois degustadores alterou sua
percepção do vinho, quanto a ser doce ou não doce. Mas algo não pode ser e não ser,
sobre o mesmo aspecto (nesse caso, ser doce e ser também não doce) ao mesmo tempo.

No entanto, um vinho pode ser agradável a um e desagradável a outro, mas isso não diz
nada do vinho, não é uma propriedade do vinho e sim do sujeito que experimentou o
vinho. Neste caso ao sujeito o vinho agrada ou desagrada. Mas o vinho é o mesmo, com
as mesmas características.
E isso se estende, entre outras, à música…
Enfim, partimos do pressuposto de que não se pode doutrinar sobre os juízos
de gosto ou ensiná-los (pois não são juízos de conhecimento, portanto estão para além
de conceitos). Sendo assim, uma alternativa factível é discutir sobre a faculdade do
juízo, para possibilitar ao sujeito, possibilitar a nós mesmos, condições de um exercício
de nossos juízos de gosto, chamando a atenção para a possibilidade de implicações
dos juízos estéticos (que são universais) e exercitar, pôr em movimento o jogo das
faculdades do ânimo, promovendo-as. E é isso que faremos em 1º de setembro no
anfiteatro da UnC Canoinhas! Esteja convidado! Continuaremos lá a discussão.

Leandro Rocha – mestrando em filosofia (UFSC), sociólogo (UnC), acadêmico
também da graduação em Filosofia (UFSC), é professor conteudista da UNISUL para o
departamento de Filosofia.

 
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Publicado por em 25 de agosto de 2012 em Notícias

 

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