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CINE-FÓRUM: 100 ANOS DA GUERRA DO CONTESTADO

20 maio

CINE-FÓRUM: 100 ANOS DA GUERRA DO CONTESTADO

Professor Sandro Luiz Bazzanella

Para além dos discursos, que se tornam lugar comum em tono deste acontecimento, refletir os “Cem Anos da Guerra do Contestado”, assume importância vital, com a possibilidade de transcender o caráter simbólico temporal do acontecimento e, que consequentemente, desencadeia análises e interpretações factuais do evento ensejado na imaginação e nas vozes dos contemporâneos. A partir desta premissa, pode-se anunciar a importância da reflexão em torno do acontecimento da Guerra do Contestado, como abertura e desafio à compreensão do tempo presente em sua potencialidade vital. Talvez se possa dizer, que uma das tarefas mais urgente da reflexão em torno da Guerra do Contestado, implica em colocar em jogo a forma como nos relacionamos como tempo presente.

Nossa concepção de tempo é marcada pela transitoriedade dos fatos e dos acontecimentos. Nos “falta tempo” para fazer experiências vitais com o tempo, mesmo que se multipliquem os experimentos em nosso dia-a-dia. O império da novidade temporal implica e requer a sucessão vertiginosa de análises e interpretações momentâneas dos acontecimentos, o que explica em partes a proliferação vertiginosa de discursos de especialistas sobre situações corriqueiras. Afinal, a marcha rumo às possibilidades e oportunidades do desenvolvimento exige que nos mantenhamos sempre em movimento, que transformemos todo acontecimento em um evento. Os eventos caracterizam-se pela sua efemeridade, pela sua insustentabilidade para além da realização do próprio evento.

Portanto, entre outros, os desafios que se apresentam na reflexão em torno da Guerra do Contestado esta em desvencilhar-se das análises, das interpretações que partem do pressuposto de que o que esta jogo é uma retomada do passado como simples atualização do presente, ou mesmo, como condição de transição e abertura do tempo presente à um tempo futuro. É a oportunidade de transcender a pretensão de compreender o tempo e a história de forma fragmentada e, como necessária superação de momentos que antecederam o tempo presente como projeção necessária de um futuro por vir. A partir de tais pressupostos, talvez se possa dizer que o desafio das reflexões em torno do acontecimento da Guerra do Contestado residem na condição de rememorarmos, em sua intensidade vital aquilo que foi vivenciado pelas gerações envolvidas no conflito, como forma de contraposição as tentativas de conceber tal acontecimento, a luz de uma teoria da justificação necessária, inserida num determinado contexto histórico.

Ou então, o acontecimento da Guerra do Contestado, pode nos permitir conceber o tempo na perspectiva do filósofo italiano Giorgio Agamben, como “tempo que resta”. O tempo que resta é o tempo de agora, o tempo presente, que pode permitir a experiência do pensamento, refletindo as condições de possibilidade de qualificação da vida. Assim, as lutas, as derrotas, as vitórias, a dor e o sofrimento das gerações que nos antecederam podem se apresentar em sua potencialidade, como a condição de afirmação do que somos, permitindo o reposicionamento de nossas relações sociais, políticas, econômicas e culturais, permitindo ao Planalto Norte a constituição de condições qualitativas de vida à seus indivíduos e a sociedade regional.

A Universidade do Contestado carrega em seu nome o legado histórico e, consequentemente as condições de possibilidade de refletir e procurar compreender juntamente com a sociedade canoiense e, regional o acontecimento da Guerra do Contestado. Desta forma, comprometida e, ciente da importância de sua contribuição, esta promovendo através do Curso de Ciências Sociais e do Centro Acadêmico de Ciências Sociais André Bazzanella, um Cine-Fórum no dia 18/05/2012, no anfiteatro do IFSC, a partir das 19 horas, com a projeção do filme: “A Guerra Dos Pelados”, filmado na década de 70 por Sylvio Back. Esta atividade acadêmica é aberta a comunidade em geral. O CineFórum: 100 anos do Contestado, vincula-se ao projeto: “Contestado: desvendando os 100 anos da Guerra”, lançado pela Universidade do Contestado em novembro de 2011 e, que tem como proposta marcar a data promovendo ao longo do ano de 2012 reflexões que motivem a reflexão, do debate, a criatividade e o conhecimento sobre o período da guerra.

Portanto, a discussão acerca do tema e a proposta de apresentá-laem um Cine-Fórum, justificam-se pela relevância do acontecimento à região do Contestado, bem como à história do Brasil. Cem anos após o início das inúmeras batalhas que constituíram o conflito em sua totalidade, identificam-se marcas econômicas, políticas, sociais e culturais, que até hoje caracterizam e implicam diretamente em peculiaridades antropológicas, econômicas, religiosas e sociais, inerentes a este povo cuja herança se liga direta ou indiretamente à região do Contestado. E são estas marcas que necessitam, neste “tempo que resta”, serem refletidas com a profundidade necessária à potencialização das formas-de-vida que vem em toda sua potencialidade em cada instante, em cada acontecimento nas terras do Planalto Norte Catarinense.

Professor Sandro Luiz Bazzanella

Coordenador do Curso de Ciências Socais.

 
 

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